segunda-feira, 8 de novembro de 2010

No canto do olho choravas

No canto do olho choravas.
Choravas em silêncio de encanto,
Dor, mágoa, sentimento, vago canto,
E ao soar de pergunta minha, calavas.

E já nos encantos da noite escura,
Ao encostar de testa no ombro meu,
O falar que não tiveras, em pranto que dura,
Arrancou-te esse véu- só teu.

E se ao de novo perguntar
Em inexistência de opinião te esconderes,
Não mais te darei em rios de lágrimas o verbo amar,
Não mais me darei de corpóreos mantos em poderes!

A noite alongava o passo
Em alegrias e risadas falaciosas-
Puras paisagens mentirosas!-
E em fumar de cigarro constrangido, rasguei o maço!

E já pranteando novamente,
Como criança sem saber de gente,
Chapinhaste no lago
Que criáras de tanto chorar sobre o vago!

E, já defunto,
Bem a ti junto
Tudo o que esqueceste,
Tudo o que perdeste!

João Villalobos

Dedicado, por inteiro, à Carolina

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