segunda-feira, 8 de novembro de 2010

No canto do olho choravas

No canto do olho choravas.
Choravas em silêncio de encanto,
Dor, mágoa, sentimento, vago canto,
E ao soar de pergunta minha, calavas.

E já nos encantos da noite escura,
Ao encostar de testa no ombro meu,
O falar que não tiveras, em pranto que dura,
Arrancou-te esse véu- só teu.

E se ao de novo perguntar
Em inexistência de opinião te esconderes,
Não mais te darei em rios de lágrimas o verbo amar,
Não mais me darei de corpóreos mantos em poderes!

A noite alongava o passo
Em alegrias e risadas falaciosas-
Puras paisagens mentirosas!-
E em fumar de cigarro constrangido, rasguei o maço!

E já pranteando novamente,
Como criança sem saber de gente,
Chapinhaste no lago
Que criáras de tanto chorar sobre o vago!

E, já defunto,
Bem a ti junto
Tudo o que esqueceste,
Tudo o que perdeste!

João Villalobos

Dedicado, por inteiro, à Carolina

Inexstência Exponencial

As folhas caíram, chorando o que não existia.
E eu, erguendo o peito,
Em rancor perfeito,
Vagueva o que no horizonte não via.

E se em observações de sois postos inexistentes,
Luas decoradas de marés infernizadas,
Raízes criei em algo que não sentes,
A vitória é das sombras que tenho em pranto, amarguradas.

Mas esqueçamos que o vinagre, agora, é vinho!
Esqueçamos os dias que passaram, as bandeiras que hasteamos,
E as cavalgadas e as fugas do baixo Tejo ao alto Minho,
Pois foi sopro de titã mitológico! Nunca nos amamos.

Em figuras de estilo constantes,
Num desvalorizar de emoções apaziguadas num poema,
Durante todo este tempo, foi disto que fiz dilema!,
Foi nisto que me escondi( escondemos!), pois fomos amantes.

Hoje, ao abanar das copas arvóreas,
Num vendaval rompido do nada,
Contamos, aos nossos filhos inexistentes, estas histórias,
Mas, na verdade, não tenho em mim mais do que uma amada.

João Villalobos

Dedico, de Alma e Coração, este excerto sentimental ao meu Avô( João), que certamente perceberia melhor do que ninguém ao ler este poema. Onde quer que esteja, Avô, se tiver a oportunidade de ler isto, se quiser, faça-o, pois este é mesmo para si.